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O segundo e último dia da Plenária da Frente Nacional Popular de Educação (FNPE), nesta sexta-feira, 30, discutiu o desmonte da educação superior, sua financeirização e privatização. A coordenadora da Secretaria de Assuntos Educacionais, Adércia Bezerra Hostin dos Santos, defendeu que o setor privado “existe para oferecer a quem tem o capital usufruir de qual é o segmento, qual é a religião, qual é o caminho que quer seguir. Mas a educação púbica deve ser gratuita, laica e de qualidade”.

A mesa foi coordenada por Lucilia Augusta Lino, presidenta da Associação Nacional Pela Formação de Professores (ANFOPE). Segundo Adércia, “quando a gente trata do ensino privado, precisamos demistificá-lo. Ele não é o único pólo de garantia de qualidade. É a mesma coisa quando a gente sonha com um plano de saúde e depois vê que ele não corresponde às nossas necessidades. Mas essa luta não vai ser fácil, a gente observa um discurso reacionário, generalizado. Temos que desmistificar a qualidade atribuída ao ensino privado. A grande maioria, salvo algumas universidades do setor privado, não ofertam carreira, não tem progressão; não se fala em valorização, não há investimento em formação, é cada um por si. É preciso explicar para a sociedade o que tem atrás do setor privado. Outra questão é que é preciso ter clareza de que o momento atual vai ser propício para enfrentar todas essas mazelas. É importante destacar que a educação pública é garantia de ensino; a privada significa, no capitalismo, dizer: eu não quero educação pública, eu tenho dinheiro para pagar e eu escolho uma educação confessional, ou filantrópica, uma sem fim lucrativos, uma comunitária – a educação do setor privado é ofertada nessa gama de referências. É para isso que o setor privado do ensino serve”.

Natália Duarte, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), disse que a financeirização e mercantilização são um “fenômeno mundial, de ataque às conquitas sociais e direitos humanos numa dualidade de certo-errado, etnocentrismo, machismo. O recrudescimento do capitalismo financeiro no século XXI leva à crise mundial. O mercantilismo e a financeirização se inserem nesse contexto. Precisamos definir estratégias para enfrentar essa onda avassaladora que nos desnorteou. A situação deve piorar com o próximo governo, que incentiva o ódio aos professores e aos pobres e promove a corrupção, e não a desigualdade, como o principal problema do país”.

Gil Vicente Figueiredo, do Fórum dos Professores de Instituições Federais do Ensino Superior (Proifes), considerou que “expandir o fórum é muito importante para que a gente possa enfrentar com a maior força e articulação esse governo que vem por aí”.

Rafael Pereira, da Federação de Sindicatos dos Trabalhadores em Universidades Brasileiras (Fasubra), alertou que “o desmonte do ensino vem ocorrendo de duas maneiras: da maneira econômica, que tem a ver com a disputa do fundo público; e, com a massificação da educação, ocorre a transferência de recursos para a iniciativa privada, que objetiva o lucro. A financeirização é uma consequẽncia desse processo e a terceirização a sua consequência”.

Na tarde de 30, os participantes discutiram encaminhamentos e definições de ações prioritárias da FNPE.

Por Carlos Pompe

Fonte: Site Contee

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